Auto-consciência


Vivemos numa era onde temos tudo ao nosso alcance, onde temos inúmeras opções para escolher, para tudo o que vemos e queremos. Costumo dizer que nunca houve uma altura melhor para estar vivo.
Sei que, infelizmente, ainda há países em guerra, ainda há muita fome e muita pobreza, entre outros tipos de sofrimento. Mesmo assim, até ao momento, na história do ser humano, nunca houve tanta paz, tanta fartura nem tanta escolha.
Nós, portugueses, vivemos num país onde temos sol e calor entre 6 a 8 meses por ano, temos a melhor comida e bebida, temos um povo fantástico. Adoro este país e tenho uma visão quase utópica, eu sei 🙂

Se temos tudo tão facilmente, porque motivo as pessoas não atingem os seus objectivos? Porque não têm sucesso? Porque não são felizes?
Por outro lado, porque razão vemos povos com tão pouco, sempre com um sorriso?

Vivemos numa sociedade em que a pressão é enorme para ser o melhor em tudo, para trabalharmos nos nossos defeitos, pois só assim se tem sucesso e se é feliz. Eu penso de forma um pouco diferente.

Na minha opinião, auto-consciência é uma das maiores, melhores e mais importantes acções que podemos apontar a nós mesmos. Sermos auto-conscientes, no contexto deste artigo, é sermos conscientes das nossas virtudes e defeitos e sabermos aceitá-los.

Estarmos em paz connosco e com os nossos defeitos é fundamental. A maioria das pessoas mente a si própria (todos o fazem) e não aceita realmente os seus defeitos, não aceita as coisas em que são más.
Somos péssimos em tantas coisas. Eu sou! Há tanta gente melhor do que eu em tudo. Não há nada de errado nisso.

Dia após dia, sem falarmos com ninguém sobre o assunto (nem connosco mesmos), estamos em guerra mental, a questionarmo-nos o porquê de não sermos melhores, de não termos mais, de não sermos mais. Porque repetimos os mesmos erros constantemente? Porque não conseguimos alterar os nossos comportamentos?
Analisamos o nosso passado a procurar onde falhámos. Perdemos tempo desnecessário com o problema, em vez de nos concentrarmos na solução.

Na minha opinião devemos trabalhar as nossas virtudes, as nossas forças, as nossas capacidades para sermos mais e melhores. Só assim seremos fantásticos em algo. Se trabalharmos apenas nos nossos defeitos, na melhor das hipóteses seremos medianos.

Ser auto-consciente não é apenas aceitar as coisas como são, é ser consciente do estado actual das coisas e trabalhar a partir daí para crescer.
Sei que parece que me estou a contradizer, mas há coisas que são fundamentais, a nossa base e fazem parte do nosso DNA. Essas devemos sem dúvida melhorar e evoluir.
Todos nós gostamos de muitas coisas ao mesmo tempo. Eu gosto de tecnologia, empreendorismo, histórias de sucesso improváveis, desporto, saúde, filmes, música, entre tantas outras coisas. Gostava de ver todos os bons filmes do mundo. Mas para o fazer, teria que perder demasiado tempo, retirando tempo a outras coisas que deveriam ter muito mais importância na minha vida.
Como tal, sou auto-consciente do que é mais importante e do que sou melhor e é nisso que trabalho.
É impossível saber tudo, fazer tudo, conseguir tudo, pelo menos sem ficar totalmente louco.

Um exemplo pelo qual muitas pessoas da nossa sociedade passa diariamente é a luta contra a perda de peso. Dizem que querem perder peso este ano, ou que querem números muito altos de peso, em X anos.
É importante ser auto-consciente até em objectivos deste género. Quanto mais distante for o objectivo, mais facilmente desistimos do mesmo.
Por isso, sugiro que sejam auto-conscientes do estado actual e consciencializem-se que a luta pode demorar. Estabeleçam objectivos mais curtos (ex: quero perder 2Kgs por semana), de forma a se manterem sempre motivados e activos.
Ser auto-consciente em relação ao nosso peso actual, não é pensarmos que estamos com peso a mais e seguirmos em frente. É trabalharmos de forma inteligente.

O mesmo se aplica em tudo na vida, até no sucesso profissional. Não devemos pensar na fantasia de sermos o melhor futebolista só porque o melhor é português e a toda a hora se fala dele na televisão e internet. Há demasiada gente que tem tantas virtudes mas vive em fantasias. Não é impossível que venham a ser o melhor, até mesmo o melhor futebolista, mas vejam primeiro aquilo em que são bons e invistam a sério nisso. Façam o chamado all-in, como se diz no poker.

Devemos sonhar alto, sem dúvida, mas sem nunca deixarmos de ser realistas. Até porque, ao aceitarmos os nossos defeitos e trabalharmos no que é mais importante para nós e somos melhores, fazemo-lo com outra calma mental, com outra motivação e entusiasmo.

Há várias formas de pensar, provavelmente estão todas certas, esta é a minha. O que funciona para uns não funciona obrigatoriamente para outros. Mas pelo menos tenham a abertura de mente para experimentar.

Gostaria de ouvir as vossas opiniões sobre este tema.

Um forte abraço e o meu sincero obrigado por lerem até ao fim, desta vez alonguei um pouco mais a escrita, à próxima serei breve.

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